A minha Buenos Aires é dos argentinos! – Aramburu

Voltei!

O motivo da ausência: fui comemorar meu aniversário com maridinho em Buenos Aires.

A justificativa é boa e estou perdoada, né?

Bem, foram alguns dias de sossego, temperatura agradável, modelitos “comfy chics”,previamente montados e fotografados, para não perder tempo escolhendo as peças durante a viagem,  muito bate perna para gastar as calorias da comilança e cineminha quase todo dia.

Essa semana darei algumas dicas de revirar os olhinhos!

Pra começar, esqueça La Cabrera, Las Lilas, Sucre, Faena … e todo aquele roteiro manjadão. Xô mesmice!

Vamos à Argentina dos argentinos!

A dica TOP de restaurante dessa viagem é o Aramburu Restó, em San Telmo.

Dê seu jeito e grave esse nome! Pra facilitar ainda mais a sua vida, a pronúncia correta é “Arambúru” e não “Aramburú”. 😉

O proprietário e chef Gonzalo Aramburu é de um rigor na execução e criação do menu que te faz desejar percorrer os 19 passos (como ele define o total de pratos que será oferecido) de novo  no dia seguinte. O restaurante está em 14o lugar no 50 melhores restaurantes da América Latina. E não é à toa! O atendimento é tipo exportação, a harmonização deixa qualquer um de queixo caído e ele conseguiu unir a prepotência  esquizofrênica da cozinha molecular com a comida caseira argentina.

Ah, se você não faz a linha phyna(o) e adora bater aquele pratão, pode ficar  traaaaaaanquila(o); você não sairá de lá com fome!

Pra você entender que esse lugar realmente é imperdível, a precisão vai além da cozinha. A concepção arquitetônica também foi milimetricamente calculada. O espaço é simples, minimalista, tem cerca de 15 mesas e um balcão que fica colado na cozinha para você poder observar tudo.  A cozinha, por sinal, fica mais alta que o nível do salão, dando a impressão de que os cozinheiros são deuses. Alguns até são! Com todo respeito, marido. 😉

Ainda sobre a decoração, que é um ponto importantíssimo na construção dessa experiência,  as paredes são grafite e um único armário do chão ao teto habita o salão, expondo todas as taças e louças que serão usadas. A iluminação destaca a comida e não quem a come, é uma luz totalmente direcionada ao centro das mesas onde o prato é servido. Ah, e vc de quebra ainda fica linda(o), porque a mesa vira um rebatedor e deixa qualquer pele um pêssego, o que é perfeito para o momento sedução.

Uma foto para ilustrar como a iluminação é fantástica.

 

VAMOS AO QUE INTERESSA!

Esse lombinho de porco “embaixo da moita”, foi apenas o melhor da vida.  Jésuis!

E aí, babou?

Dá uma olhadinha no menu da estação primavera!

É um abuso de ingredientes, texturas e sabores. Tem quinoa, ave, peixe, flores, foie gras, mostarda, vieira, carne de boi, caramelos, pepino, crosta, espuma, rolinhos, “gravetos”, caldas, “pastilhas”, sorbets… Uma loucuuuuuuura!

Foi, né? Acho que te convenci.

Pra fechar: leve dinheiro, pague em pesos, o cambio oficial cobrado pelo cartão de crédito deixa a conta estratosférica  e RESERVE com antecedência!

Se quiser ver mais fotinhos da minha trip, confere lá no meu instagram @lucieda !

Até quinta, com os melhores drinks de Buenos!!!

 

Foto destaque: Celso Barreto
Foto 1: divulgação
Foto 2: The Lost Asian

Um Charme de Roteiro

Ruazinha em Lisboa

Como muitos já sabem pelos meus posts no Facebook e Instagram, estou em Portugal num roteiro que há tempos queria fazer, onde o objetivo principal é comer e beber. E até agora, tenho conseguido com maestria.

Escolhi este país não só pelo lado gastronômico e seus vinhos locais, mas também pelas lindas cidades, culturalmente riquíssimas e povo caloroso, sempre amável.

Como meu tempo não era tão grande, tenho apenas 9 dias aqui (depois 7 em Paris), tive que optar por fazer Norte ou Sul e mesmo não sendo época de colheita nos vinhedos, resolvi vir para o Norte. Desembarquei em Lisboa, passei por Évora, visitei Fátima e Coimbra no caminho para as vinícolas do Douro, e agora estou no Porto, depois de dar um pulinho em Guimarães – berço da nação portuguesa – e Braga. E ainda tenho alguns dias de viagem pela frente.

Quando voltar, publico o roteiro completo com dicas de muita comida boa, lugares lindos e vinhos para harmonizar. Enquanto isso, vou colocando alguns restaurantes e lugares que me marcaram bastante. Acompanhe, que vai valer a pena!

Foto: Marcella Castro

Orient Express: uma viagem no tempo…

Il était une fois l’Orient Express: uma bela exposição que retrata a aventura do famoso trem que inspirou o cinema e a literatura. Nenhum trem foi cercado de tantas histórias, mistérios e celebridades como esse.

Mais do que uma exposição, uma viagem ao tempo… com todo o esplendor de uma época de puro charme. A exposição é consagrada ao mítico trem Orient Express, ícone da Arte Déco que fez a alegria de gerações de viajantes e abriu as portas do Oriente.
A expo está no pátio do Instituto do Mundo Árabe. São 5 vagões originais, sendo que a primeira locomotiva apita de hora em hora como se fosse a partida ou a chegada. A viagem vai começar! Logo em seguida, você é levado pelo percurso da exposição através dos outros vagões decorados com uma atmosfera luxuosa que acompanhava seus viajantes mais ilustres.
Nesse momento você é transportado para um universo cinematográfico, onde todas as referências de seus célebres frequentadores está ao seu lado. Memórias, cidades, personagens fotos de época e ambientes transcritos com precisão par ate fazer viajar entre o Oriente e o Ocidente através das épocas.
O vagão-restaurante está a cargo do chefe estrelado Yannick Alléno, mas só com reservas para o jantar. Uma experiência!
A visita continua no interior do Instituto do Mundo Árabe, onde descobrimos a história, a personalidade e seu ‘inventor ‘ Georges Nagelmackers. Um verdadeiro museu do Orient Express com objetos, documentos de arquivos, cartazes originais e todo o universo imaginário que se criou em torno de um mito que abriu as rotas de Istambul, Damas, Beirute, Bagdá, Cairo, Louxor…

Quem não entraria nessa viagem luxuosa… em todos os seus apectos?!

A exposição continua no Instituto do Mundo Árabe até 31 de agosto e agora com horário especiais, os famosos, nocturnes, já que estamos no verão e a noite só chega às 22h. Aproveitem! Puro glamour!

De terça a quinta de 9h30 à 20h. Sexta-feira, nocturne, até 21h30.
Sábados, domingos e feriados de 9h30 à 20h.

A partir de 8 de agosto, nocturnes, sextas e sábados até 22hs.
Super nocturnes, sexta e sábados, 22 e 23 de agosto, até 5h da manhã!!

O Real Château de Blois

Em pensar que um dos castelos mais famosos do Vale do Loire quase foi demolido…… O Castelo de Blois, um castelo medieval tornou-se por várias épocas residência real e a capital política do reino. Este palácio, além de residência de muitos Reis da França, também foi o local onde o Arcebispo de Reims abençoou Joana d’Arc, em 1429, antes de partir com o seu batalhão para combater os ingleses em Orleans.

Depois da Revolução Francesa o imenso palácio foi abandonado por mais de cento e trinta anos. Os revolucionários decidiram destruir qualquer símbolo da velha nobreza, enquanto se enriqueciam a eles próprios, saqueando o palácio e roubando várias estátuas, emblemas reais e brasões. Num estado de total abandono, foi decidido que seria demolido. Esta decisão foi adiada para que servisse de aquartelamento militar.

Sorte a nossa que depois de uma grande recuperação podemos ter uma pequena idéia de como se vivia naquela época e imaginar que também estivemos em um lugar que conta tanta história.

Construído no centro da cidade de Blois, o palácio é composto por vários edifícios construídos entre o século XIII e o século XVII, ao redor do pátio principal. O seu ponto alto é a sua mais famosa peça de arquitetura, uma magnifica escadaria em espiral. Podemos visitar também a sala onde os reis recebiam para audiências, os aposentos reais decorados com muitas cores, tecidos e símbolos. E uma das alas ainda foi transformada num pequeno museu de belas artes.

Lá de cima do castelo temos uma vista bucólica e impressionante. Podemos observar toda a cidade medieval de Blois nas margens do Loire. Os telhados, as ruas estreitas que nos fazem viajar no tempo. O Castelo de Blois fica a menos de 200km do sudoeste de Paris. Se for de carro ainda será contemplado com uma paisagem do campo ainda mais inacreditável e colorida.

A Arte de Ficar

Talvez pelo título você esteja pensando que se trata de um post cheio de dicas pra você alcançar a excelência em passar o rodo, afogar o ganso ou preencher sua lista de ficantes com louvor.

Mas o ficar aqui é outro. E pra começar a entender a arte de ficar,  é preciso entender o significado de viajar.

Sempre amei viajar. Nas horas boas e ruins. Muitas vezes, na aparente falta de saída, vislumbrava apenas uma viagem como meio de digestão dos problemas. Aposto que não sou a única na face da terra a ter o devaneio como o da foto abaixo, da francesa Maia Flore. Quem nunca sonhou em ser tirada da realidade?

Nilton Bonder nos alerta para nosso poder de criar  mecanismos de grande eficácia para nos proteger do desagradável – sendo os mais comuns os sonhos de viagens ou a criação de realidades virtuais. (se você ainda não o conhece, fique atento pra qualquer coisa que saia da boca e da escrita desse pensador, rabino, filósofo, porque você não tem ideia…)

Ir para outro lugar nos parece uma boa maneira de se evitar as dificuldades da vida.”

 “Mas cuidado. Há algo de extremamente perigoso na opção de partir: ela camufla, por atitudes de aparente busca, formas sofisticadas de fuga.”

E conclui:

Ficar é – e sempre foi – uma condição muito privilegiada.”

Muitas vezes tive a sensação de que coisas bacanas estavam acontecendo onde eu não estava – na festa que não fui, na cidade que ainda não conhecia, na casa do vizinho e assim por diante. Com o advento da realidade paralela chamada facebook, a falsa impressão de que as melhores coisas acontecem em outro plano parece gritar na nossa cara. Às vezes sinto que estou viciada em me encher de coisas, tarefas, planos, qualquer coisa que me faça “viajar”. Por isso, cada vez mais acredito que devemos ficar alertas pro nosso vício de escapar.

Se por um lado tenho a consciência de que “perder tempo” com planos e projetando opções futuras são fundamentais, por outro, creio que antes de tudo deveríamos perder mais tempo pensando e valorizando o nosso agora.

Viver o agora, de forma plena e consciente, exige um exercício danado. Pensar virou artigo raro. Não estou falando do pensar nos filhos, na empregada, no trabalho, nas compras ou na viagem. O pensar fica algumas camadas mais abaixo. É preciso encontrar momentos pra isso. Seja dirigindo, lendo, vendo uma exposição ou algo que te faz pensar.

Nem sempre vai dar onde gostaríamos. Mas se não ficarmos não veremos. E não há nada pior do que viver sem enxergar. E aí entra novamente Nilton Bonder na história, com sua dimensão da Verdade. Sim, a Verdade com V maiúsculo. Ele reforça, que é preciso disposição pra processá-la, encará-la de frente, sem véus e sem viagens. Por pior que ela seja. E o mais mágico é que a Verdade, para quem consegue processá-la e com ela aprender, por pior que ela seja, de alguma forma, ela te move a um lugar melhor.

Pensando assim, fica fácil entender  o aparente paradoxo entre o inferno e a felicidade  que Lousie Bourgeois provavelmente vivia ao bordar a seguinte frase em um singelo lenço:

É…Ficar é mesmo uma arte.

Fotos: reprodução